
Preços de Transferência em Operações entre Empresas do Grupo
Sua empresa negocia com outras empresas do mesmo grupo no exterior? O preço utilizado precisa ser defensável como se a operação tivesse ocorrido entre partes independentes.

Quem define o preço quando as duas pontas são do mesmo grupo?
Como as duas empresas pertencem ao mesmo grupo, preço, margem ou demais condições podem não ser definidos como seriam entre independentes. É aí que entram as regras de preços de transferência: verificar se valores e condições são compatíveis com os de partes independentes em circunstâncias comparáveis.
Operações que costumam entrar na conversa
Por isso, transfer pricing é um trabalho econômico, tributário e documental.
Uma empresa independente aceitaria essa operação nessas condições?
A Lei nº 14.596/2023 incorporou expressamente ao sistema brasileiro o princípio arm’s length: os termos e condições de uma transação controlada devem ser os que seriam praticados entre partes não relacionadas em transações comparáveis.
Transação controlada
Entre partes relacionadas, com condições definidas dentro do grupo.
Transação comparável
Entre partes independentes, em circunstâncias comparáveis.
O Brasil mudou o jogo em 2024
Clique em cada etapa e veja o que mudou. Em seguida, confira se a sua operação está no alcance da regra.
Sistema anterior
O Brasil utilizava metodologias próprias e margens predeterminadas em diversas situações.

Nova disciplina
O País aproximou sua disciplina do padrão internacional utilizado pela OCDE e incorporou o princípio arm’s length.

Obrigatório
As novas regras passaram a ser obrigatórias para fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2024. Políticas construídas sob a legislação antiga precisam ser revistas.

Regulamentação
A Instrução Normativa RFB nº 2.161/2023 é a principal regulamentação do regime.

Alterações
A IN RFB nº 2.161/2023 foi posteriormente alterada, inclusive pela IN RFB nº 2.246/2024.

- preço
- contrato
- substância
- rateio de despesas
- dedutibilidade
- tributação
- governança
“Não estar sujeito a preços de transferência” não significa que qualquer valor possa ser usado internamente.
Antes de calcular qualquer preço, desenhe o grupo
A análise não olha só para participação societária direta. O conceito pode envolver controle, influência, participação e estrutura econômica. Por isso, o primeiro passo é mapear o grupo e identificar quais contrapartes estrangeiras precisam ser analisadas.
A análise normalmente começa pelo organograma societário. A legislação também define transação controlada de forma ampla: relação comercial ou financeira entre partes relacionadas, inclusive contratos, arranjos, séries de transações e operações diretas ou indiretas.
Cada tipo de operação pede uma pergunta diferente
Escolha a operação e veja o que a análise precisa responder.

Compra e venda entre empresas do grupo
Imagine que a empresa brasileira compre de sua controladora estrangeira. É preciso verificar se preço, margem e condições são compatíveis com os de partes independentes. O mesmo vale para exportações a relacionadas.
- preço
- margem
- condições

Importação com preço elevado
Se a brasileira paga à relacionada estrangeira acima do que partes independentes praticariam, o custo no Brasil aumenta e a margem brasileira diminui, reduzindo a base de IRPJ e CSLL.
- custo maior
- margem menor
- base de IRPJ e CSLL

Exportação com preço reduzido
Vender a uma relacionada no exterior por valor inferior ao praticado em condições independentes pode deslocar lucro para outra jurisdição. Importações e exportações precisam ser avaliadas.
- deslocamento de lucro
- outra jurisdição

Não apenas o preço importa
Prazo, volume, frete, seguro, garantia, condições de pagamento e mercado influenciam a comparação. Uma operação FOB tem distribuição de custos diferente de uma CIF, e a PGFN registra entendimento sobre ajustes de frete e seguro nessas diferenças.
- prazo
- volume
- frete
- seguro
- garantia

Serviços intragrupo
Administração, tecnologia, suporte, marketing, contabilidade, jurídico, RH e TI. Não basta existir uma fatura: é preciso verificar se o serviço foi prestado, quem se beneficiou, qual custo foi cobrado e qual remuneração seria adequada.
- serviço prestado
- quem se beneficiou
- custo cobrado

O benefício precisa ser demonstrável
A empresa brasileira precisa explicar qual serviço recebeu, por que precisava dele e qual benefício econômico obteve. Serviços que atendem só ao interesse do acionista ou do grupo podem exigir tratamento diferente.
- serviço recebido
- necessidade
- benefício econômico

Rateio de despesas
Custos centralizados e distribuídos entre empresas do grupo exigem verificar natureza, critério, beneficiários e documentação. Rateio genérico por faturamento pode não refletir o benefício de cada participante.
- natureza dos custos
- critério de rateio
- beneficiários

Contratos de compartilhamento de custos
A Lei nº 14.596/2023 trata expressamente desses contratos: partes relacionadas dividem contribuições e riscos do desenvolvimento ou aquisição conjunta de serviços, intangíveis ou ativos tangíveis, conforme o benefício esperado de cada uma.
- serviços
- intangíveis
- ativos tangíveis
No FOB, o comprador arca com o transporte principal e o seguro a partir do embarque.
No CIF, o vendedor inclui frete e seguro no preço. Comparar as duas condições pode exigir ajustes. Ilustração simplificada.
Onde o valor invisível e o dinheiro do grupo se cruzam
Royalties, marcas, empréstimos e tesouraria: cada um tem sua lógica.

Royalties também precisam ser avaliados
Pagamentos por marca, patente, tecnologia, software e know-how podem estar sujeitos às regras. Não basta um percentual global para todas as empresas do grupo: avalie ativo utilizado, importância econômica, funções e remuneração comparável.
- marca
- patente
- tecnologia
- software
- know-how

Intangíveis são área especialmente sensível
Marca, tecnologia, algoritmo, patente e base de clientes. É preciso avaliar quem desenvolve, mantém, protege, explora e assume riscos do ativo. A propriedade jurídica isolada pode não explicar toda a remuneração econômica.
- desenvolve
- mantém
- protege
- explora
- assume riscos

Empréstimos entre empresas do grupo
Quando a empresa brasileira recebe ou concede empréstimo a parte relacionada no exterior, importam juros, prazo, garantia, moeda e risco de crédito. A pergunta continua: quais condições seriam negociadas entre independentes?
- juros
- prazo
- garantia
- moeda
- risco de crédito

Taxa de juros não é definida arbitrariamente
Pertencer ao mesmo grupo não significa que o financiamento possa usar qualquer taxa. Considere risco, prazo, moeda, garantias e mercado.
- risco
- prazo
- moeda
- garantias
- mercado

Garantias possuem valor econômico
Uma empresa do grupo pode garantir dívida de outra, oferecer carta de garantia ou usar seu rating. Dependendo do caso, isso tem efeito econômico a ser considerado.
- dívida garantida
- carta de garantia
- rating

Cash pooling e tesouraria centralizada
Grupos centralizam caixa, financiamentos e aplicações, e podem surgir várias operações financeiras relacionadas. A análise não deve olhar apenas o saldo final.
- caixa
- financiamentos
- aplicações

Commodities têm regras específicas
Exigem atenção a cotação, data, condições, ajustes e comparáveis. A Receita possui procedimento próprio de Registro de Transações com Commodities (RTC) no novo sistema, o que pede controle adicional.
- cotação
- data
- ajustes
- RTC
Quem faz, quem usa e quem assume o risco?
Uma das etapas centrais é compreender funções desempenhadas, ativos utilizados e riscos assumidos.
Empresa A: Produz
Cada empresa pode ter direito a remuneração diferente conforme sua contribuição econômica.
Empresa B: Distribui
A análise funcional compreende funções, ativos e riscos de cada participante.
Empresa C: Detém tecnologia
A tecnologia pode justificar remuneração distinta, desde que a empresa a desenvolva, proteja e controle de fato.
Quem assume o risco precisa realmente controlá-lo
Não basta o contrato afirmar que determinada empresa assume um risco. É necessário analisar se ela possui capacidade de decisão, controla aquele risco e tem capacidade financeira para suportá-lo.
O contrato afirma
A empresa brasileira exerce função limitada.
Na prática
Negocia, desenvolve mercado, assume riscos e controla decisões importantes. O perfil econômico pode ser diferente: a análise observa a conduta real das partes.
Não se escolhe o método porque ele gera menor ajuste
A regra atual trabalha com o método mais apropriado para a transação. A legislação também permite outros métodos em determinadas circunstâncias.
PIC · Preço Independente Comparável
Compara o preço da transação controlada com o de transações comparáveis entre partes independentes. Quando existem comparáveis confiáveis, pode ser uma metodologia particularmente relevante.
- preço
- comparáveis confiáveis
PRL · Preço de Revenda menos Lucro
Analisa a margem bruta obtida na revenda subsequente e a compara com margens de transações independentes comparáveis. Pode ser relevante em determinadas estruturas de distribuição.
- margem bruta
- revenda
- distribuição
MCL · Custo mais Lucro
Analisa a margem bruta adicionada aos custos do fornecedor e a compara com margens entre partes independentes. Pode ser relevante em determinadas manufaturas e prestações de serviços.
- margem sobre custos
- manufatura
- serviços
MLT · Margem Líquida da Transação
Compara a margem líquida da transação controlada com a de operações independentes comparáveis, usando indicador de rentabilidade apropriado. Pode exigir dados financeiros, seleção de comparáveis e ajustes.
- dados financeiros
- seleção de comparáveis
- ajustes
MDL · Divisão do Lucro
Pode ser especialmente relevante quando diferentes empresas do grupo fazem contribuições econômicas relevantes e integradas, como intangíveis únicos e operações altamente integradas.
- intangíveis únicos
- operações integradas
- contribuições valiosas
O método precisa ser justificável
Considere características da operação, funções, riscos, dados disponíveis e comparáveis. Aplicar método adequado à transação errada ainda pode gerar resultado inadequado, por isso a transação precisa estar corretamente delimitada.
Comparáveis são parte central
Nem todo comparável é realmente comparável: mercado, produto, risco, volume e função podem diferir e exigir ajustes de comparabilidade.
Intervalos de mercado
Em certas análises não há um único resultado possível, e sim um intervalo observado entre operações independentes. A avaliação considera a metodologia legal aplicável para verificar se o resultado da empresa está dentro da faixa aceitável.
Quando o preço do grupo não fecha com o mercado
Veja também a conciliação contábil-fiscal e a ECF.
Arquivo Global, Arquivo Local e a prova do dia a dia
Clique para ver o que cada arquivo cobre e como os limites de valor se aplicam.

Arquivo Global
Reúne informações sobre estrutura, atividades, organização do grupo multinacional e entidades integrantes. Dá uma visão mais ampla do grupo.
- estrutura
- atividades
- organização
- entidades

Arquivo Local
Concentra informações sobre as transações controladas, as partes envolvidas e a metodologia aplicada. Está mais ligado à realidade da empresa brasileira.
- transações controladas
- partes envolvidas
- metodologia

Menos de R$ 15 mi
Não estar obrigado ao Arquivo Local não significa ignorar as regras: uma coisa é a obrigação de apresentar os arquivos, outra é aplicar as regras de IRPJ e CSLL às transações controladas. Empresas com operações menores também devem verificar enquadramento e obrigações.
- verificar enquadramento
- regras de IRPJ e CSLL

R$ 15 mi a R$ 500 mi
Segundo o serviço oficial da Receita atualmente disponível, transações controladas no ano-calendário anterior iguais ou superiores a R$ 15 milhões, antes dos ajustes, sujeitam à entrega do Arquivo Global e do Arquivo Local, que pode ser Simplificado (abaixo de R$ 500 milhões), conforme os critérios regulamentares.
- Arquivo Global
- Arquivo Local Simplificado

R$ 500 mi ou mais
Para contribuintes cujo valor total das transações controladas alcance R$ 500 milhões ou mais, observadas as regras do ano-calendário, aplica-se o Arquivo Local Completo.
- Arquivo Global
- Arquivo Local Completo
Como manter a documentação de pé
Construa a documentação ao longo do ano
Reconstruir tudo depois do fechamento dificulta identificar contratos, fazer a análise funcional, obter comparáveis e conciliar números. Transfer pricing funciona melhor como processo contínuo.
Contratos alinhados à política
Se o contrato prevê uma remuneração e a análise econômica indica outra estrutura, há inconsistência. Jurídico tributário e contratual precisam conversar. Assessoria em contratos
Contabilidade refletindo as operações
Pode ser necessário conciliar faturamento, custos, royalties, juros, serviços e ajustes. A política não deve ficar só em relatório externo.
Intercompany agreements
Contratos sobre serviços, empréstimos, licenciamento, distribuição, manufatura e compartilhamento de custos ajudam a demonstrar a estrutura, mas precisam refletir a realidade.
Fatura sem contrato
Uma cobrança elevada de “management fee”, por exemplo, precisa ter explicação: qual serviço, qual base de cobrança e por que a brasileira se beneficiou. A documentação precisa ir além da invoice.
Pagamentos recorrentes
Service fees, royalties, juros e compras mensais precisam ser conciliados para verificar se a política definida está sendo realmente aplicada.
Relatório só para cumprir prazo
A documentação precisa ser coerente com contratos, números e comportamento real das empresas. Caso contrário, o relatório pode entrar em conflito com a própria operação.
Onde o risco costuma aparecer
Deslize e veja situações em que a revisão da política intragrupo é recomendável.
Arraste para o lado

Transferir função, mudar distribuidor, centralizar tecnologia ou deslocar produção muda riscos, ativos e rentabilidade esperada. Alterar o contrato sem alterar a operação real pode ser insuficiente: a substância precisa acompanhar a forma jurídica.

Podem mudar partes relacionadas, contratos e políticas intragrupo. Revise transfer pricing após eventos societários relevantes.

Na aquisição de brasileiras de grupos multinacionais, analise documentação, métodos, ajustes e exposição histórica. Isso pode influenciar contingências, preço e garantias contratuais.

A Receita pode analisar delimitação da transação, metodologia, comparáveis, margem e documentos. A empresa precisa conseguir reconstruir o raciocínio utilizado.

Defina responsáveis por contratos, base de dados, faturamento, documentação e cálculos. Transfer pricing não deveria depender de uma pessoa reunindo informações no fim do exercício.

A política global precisa ser compatível com a legislação brasileira: importar o estudo estrangeiro pode não bastar. O Arquivo Global não substitui a análise brasileira de transações locais, dados e requisitos da Receita.

A administração brasileira precisa entender como sua margem foi definida, quais serviços paga, quais royalties suporta e quais riscos assume. A responsabilidade fiscal brasileira não desaparece porque a política veio da matriz.

Operações com controlada estrangeira também podem estar sujeitas às regras brasileiras de transfer pricing.
Transfer pricing e planejamento tributário
A política intragrupo influencia margem brasileira, resultado, IRPJ e CSLL. Precisa ser considerada em orçamento, projeções e planejamento. Projeções e simulação de cenários
A margem não decorre do imposto desejado
A margem precisa decorrer das funções, dos ativos, dos riscos e dos comparáveis. Definir primeiro quanto lucro deixar no Brasil e depois construir a justificativa gera risco.
Sem deslocar lucros artificialmente
O objetivo da legislação é impedir que a relação entre as partes seja usada para transferir resultado sem correspondência econômica. Planejamento legítimo respeita o arm’s length.
Planeje antes da operação
É mais eficiente definir contrato, metodologia, documentação e política de preços antes de realizar grande volume de transações. Corrigir retrospectivamente pode ser mais complexo.
Atualize a análise periodicamente
Comparáveis e condições econômicas mudam. Mudança de margem, crise, reorganização e nova linha de negócio podem alterar a comparabilidade e pedir nova análise.
A sua empresa precisa olhar para preços de transferência?
Marque as situações que se aplicam. O resultado é uma orientação inicial, não um parecer.
Analisar com a FIX
Analisar com a FIX
Analisar com a FIX
Como funciona a análise, em 10 etapas
Selecione a etapa para ver o que a FIX faz.
Mapeamento do grupo
Identificação de empresas, controladores, jurisdições e partes relacionadas.
- empresas
- controladores
- jurisdições
- partes relacionadas
Mapeamento das transações
Levantamento de mercadorias, serviços, royalties, empréstimos e outras operações.
- mercadorias
- serviços
- royalties
- empréstimos
Delimitação das operações
Análise de contratos, conduta real, funções, riscos e ativos.
- contratos
- conduta real
- funções
- riscos
- ativos
Análise funcional
Identificação das contribuições econômicas de cada parte.
Escolha do método
Definição da metodologia mais apropriada.
- PIC
- PRL
- MCL
- MLT
- MDL
Pesquisa de comparáveis
Quando necessária, identificação de preços, margens e empresas comparáveis.
- preços
- margens
- empresas comparáveis
Cálculo
Comparação entre o resultado praticado e o resultado arm’s length.
Análise de ajustes
Verificação de eventual necessidade de ajuste tributário.
Documentação
Preparação das informações necessárias, inclusive Arquivo Local e Arquivo Global quando aplicáveis.
- Arquivo Local
- Arquivo Global
Monitoramento
Revisão periódica das políticas e operações intragrupo.
Para brasileiras de grupos multinacionais e grupos brasileiros com operações no exterior
O trabalho é conduzido conforme a necessidade. Dependendo da complexidade, pode exigir integração com especialistas econômicos, bases de dados de mercado e outras assessorias técnicas.

O preço utilizado entre as empresas do grupo foi definido pelo mercado ou apenas pelo próprio grupo?
Uma política consistente precisa explicar:
Preço de transferência não é definir quanto uma empresa do grupo cobra da outra. É demonstrar que a operação internacional está precificada de forma compatível com o que partes independentes negociariam em condições comparáveis.
Serviços que se conectam a esta análise
Conciliação contábil-fiscal e ECFContabilidade alinhada à escrituraçãoConhecer →
ContratosIntercompany bem redigidoConhecer →
Assessoria aduaneiraOperações de importação e exportaçãoConhecer →
Impactos da Reforma TributáriaRevisão do planejamento em cursoConhecer →
Projeções e cenários tributáriosSimule antes de decidirConhecer →
Comparativo de regimesSimples, Presumido ou Lucro RealConhecer →Perguntas frequentes sobre preços de transferência
O que são preços de transferência?
São regras para verificar se valores e condições de operações entre partes relacionadas são compatíveis com os que seriam praticados entre partes independentes em circunstâncias comparáveis, evitando que resultado tributável seja artificialmente deslocado entre jurisdições.
Qual é a lei que rege os preços de transferência no Brasil?
Desde 1º de janeiro de 2024, vale o regime da Lei nº 14.596/2023, baseado no princípio arm’s length e regulamentado principalmente pela Instrução Normativa RFB nº 2.161/2023, posteriormente alterada, inclusive pela IN RFB nº 2.246/2024.
O que significa arm’s length?
É o princípio segundo o qual os termos e condições de uma transação controlada devem ser os que seriam praticados entre partes não relacionadas em transações comparáveis. Na prática: uma empresa independente aceitaria realizar essa operação nessas condições?
Operações entre duas empresas brasileiras do mesmo grupo entram nessas regras?
A disciplina da Lei nº 14.596/2023 alcança, para IRPJ e CSLL, transações controladas entre pessoa jurídica domiciliada no Brasil e parte relacionada no exterior. Operações domésticas entre relacionadas não entram automaticamente, mas continuam exigindo análise de preço, contrato, substância, rateio, dedutibilidade e governança.
Quem é considerado parte relacionada?
A análise não olha só participação societária direta. O conceito pode envolver relações de controle, influência, participação e estrutura econômica. Por isso o primeiro passo é mapear o grupo.
Quais operações podem ser transações controladas?
Compra e venda, serviços, empréstimos, licenciamento de marcas, uso de tecnologia, royalties, compartilhamento de custos, operações financeiras, transferência de ativos e commodities, entre outras. A definição legal é ampla.
Importação e exportação entre empresas do grupo são analisadas?
Sim. Pagar à relacionada mais do que independentes pagariam pode reduzir artificialmente o lucro no Brasil, e vender por menos pode deslocar lucro para o exterior. Termos como prazo, volume, frete, seguro e Incoterms também influenciam a comparação.
Cobranças de management fee e serviços intragrupo são aceitas?
Não basta existir uma fatura. É preciso demonstrar que o serviço foi efetivamente prestado, quem se beneficiou, qual custo foi cobrado e que a empresa brasileira obteve benefício econômico.
Existe um método único de preços de transferência?
Não. A Lei nº 14.596/2023 prevê métodos como PIC, PRL, MCL, MLT e MDL, e permite outros em certas circunstâncias. O método é o mais apropriado para a transação, e não o que gera menor ajuste.
O que é análise funcional?
É a análise das funções desempenhadas, dos ativos utilizados e dos riscos assumidos por cada empresa. Quem assume o risco precisa controlá-lo e ter capacidade financeira para suportá-lo, e contrato e realidade precisam estar alinhados.
O que são Arquivo Global e Arquivo Local?
O Arquivo Global reúne informações sobre a estrutura e as atividades do grupo multinacional. O Arquivo Local concentra informações sobre as transações controladas, as partes e a metodologia. Segundo o serviço oficial da Receita, transações controladas de R$ 15 milhões ou mais no ano anterior sujeitam à entrega, observadas as demais regras. Confirme sempre no portal da Receita.
Se minha empresa não precisa entregar o Arquivo Local, posso ignorar as regras?
Não. A obrigação de apresentar os arquivos é distinta da aplicação das regras de IRPJ e CSLL às transações controladas. Empresas com operações menores também devem verificar enquadramento e obrigações.
Um ajuste de preços de transferência altera a fatura comercial?
Não necessariamente. O ajuste pode ser feito para fins tributários sem alterar da mesma forma a operação comercial. Fiscal, contabilidade e contratos precisam estar coordenados, e ajustes compensatórios seguem procedimento próprio.
Posso usar a política global do grupo sem adaptação?
Em geral, importar o estudo estrangeiro não basta. A política global precisa ser compatível com a legislação brasileira, e o Arquivo Global não substitui a análise das transações locais, dos dados financeiros e dos requisitos da Receita.
Como a FIX Compliance pode ajudar?
A FIX mapeia partes relacionadas e operações, revisa contratos intercompany, faz a análise funcional, avalia métodos e comparáveis, calcula ajustes, concilia com a contabilidade e a ECF e apoia a preparação dos arquivos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp ou pelo formulário desta página.
Referências e fontes oficiais
As referências sustentam os conceitos citados. Limites de valor, leiautes e obrigações acessórias mudam: confirme sempre a norma vigente.
- BRASIL. Lei nº 14.596, de 14 de junho de 2023: dispõe sobre os preços de transferência. Abrir ↗
- BRASIL. Receita Federal. Instrução Normativa RFB nº 2.161, de 2023, e IN RFB nº 2.246, de 2024: consulta no portal de normas. Abrir ↗
- BRASIL. Receita Federal. Portal institucional: serviços e orientações sobre preços de transferência. Abrir ↗
- UNSPLASH. Licença Unsplash: fotografias de uso livre utilizadas nesta página. Abrir ↗
Conteúdo informativo, sem garantia de resultado ou de economia tributária. Cada operação exige análise própria dos fatos, dos contratos e da realidade econômica; os gráficos são ilustrativos e nada aqui substitui orientação profissional sobre o caso concreto.
Seu preço de transferência fecha com o mercado?
Se sua empresa realiza operações internacionais com empresas do mesmo grupo, fale com a FIX Compliance. Nossa equipe pode analisar as transações controladas, revisar contratos e políticas intragrupo, avaliar os métodos aplicáveis e auxiliar na organização da documentação e dos controles necessários para o cumprimento das regras brasileiras de preços de transferência.
Peça uma análise das suas operações
Preencha o formulário e a equipe da FIX retorna com os próximos passos.
Contabilidade e assessoria empresarial